Espaço criado por militantes e simpatizantes do PPS, para debate interno em período congressual, sem qualquer vínculo com a direção do partido

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Candidatura própria para defender nossas bandeiras

Opinião de Alisson Luiz Micoski, dirigente do PPS de Santa Catarina e membro do Conselho Fiscal do Diretório Nacional: 

Quanto ao nome que vamos consolidar como candidat@ estamos em maturação, mas uma coisa é clara: o Partido, em tendo companheir@s que estão dispost@s a exercer esse bravo papel (que nao é suicida), deve aproveitar a oportunidade; de acordo, aliás, com análise de Josias de Souza:

 "Não há brasileiro que não conheça Dilma. Aécio ainda é desconhecido por 22% do eleitorado. Eduardo ostenta taxa de desconhecimento ainda maior: 43%. Significa dizer que os dois rivais de Dilma ainda têm espaço para crescer.

Não é só: os nanicos PSOL e PPS cogitam lançar respectivamente as candidaturas presidenciais do senador Randolfe Rodrigues e da ex-vereadora Soninha Francine. Nenhum dos dois vai virar presidente da República. Mas seus votos, por mínimos que sejam, podem ajudar a compor um cenário de segundo turno".

Vamos usar os limões para fazer uma limonada, construir desde logo na internet uma ação integrada (relembro pela 2ª vez): a Soninha foi escalada para coordenar o Mobiliza em 2010, se utilizarmos todas as cabeças pensantes e nossa força de articulação em rede, podemos sim construir uma onda, pelo menos para amplificar o debate e até nossas bandeiras, o que defendemos enquanto Partido, por si só vale a pena ter uma candidatura.

Santa Catarina, acredito, está unificando a defesa em uma candidatura.

Soninha, você, ou Rubens (Bueno), ou Raul (Jungmann), ou nosso Roberto (Freire), o Partido fechando a questão do nome, vamos firmar fileiras e trabalharmos para que o PPS ganhe a projeção estratégica e inteligente que teremos com uma candidatura à Presidência da República.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Os efeitos da candidatura própria nos Estados

Alguns esclarecimentos adicionais sobre a tese da candidatura própria:

 1) Ter candidatura própria presidencial NÃO SIGNIFICA necessariamente ter chapa própria de deputados federais e/ou estaduais. Ao contrário. Longe disso. Significa que os interesses nos estados estarão preservados, ou seja, cada diretório definirá as melhores estratégias locais justamente para eleger os nossos deputados, pois todos estamos de acordo que esta é a prioridade absoluta para 2014.

2) Traduzindo (com situações hipotéticas): o PPS pode lançar, digamos, Raul Jungmann presidente, e ter lá em Pernambuco as chapas de deputados  federais e estaduais coligadas ao PSDB, por exemplo. No Maranhão, a candidata ao Governo Eliziane Gama pode se coligar ao PSB. No Rio, o PPS pode hipoteticamente apoiar Garotinho no PR - Partido da República. No Paraná, ter candidatura e chapas próprias. E em São Paulo, podemos apoiar Geraldo Alckmin (PSDB) governador com Marcio França (PSB) vice, e coligar nossos deputados na chapa apenas com o PSB, enquanto o PSDB se coliga com o DEM, por exemplo. Nada impede. Não existe verticalização. Nenhum engessamento. Cada diretório estadual estará livre para fechar as suas alianças, dentro do nosso amplo campo da oposição.  

3) Nesse mesmo raciocínio, é equivocada a premissa de que tivemos o melhor desempenho na eleição de deputados em 2006 EXATAMENTE PORQUE não tivemos uma candidatura própria presidencial. Ao contrário. Tivemos o melhor desempenho justamente porque não tivemos candidatura presidencial NENHUMA (oficialmente), ou seja, porque foram privilegiados os acordos estaduais, atendendo os interesses locais para eleger os deputados, sem o engessamento de um palanque único nacional.

4) É justamente isso que uma candidatura própria do PPS em 2014 vai proporcionar, em vez de rachar o partido no 1º turno entre os que vão se alinhar a Aécio ou Eduardo (um ou outro), jogando no limbo o lado “derrotado”. Se tivermos uma candidatura própria que nos permita continuar transitando com Aécio e Eduardo como aliados para o 2º turno, focando a eleição contra um inimigo em comum (o PT de Dilma e Lula), sairemos muito mais fortalecidos e com chances reais de eleger uma bancada muito maior. 


domingo, 6 de outubro de 2013

Soninha expõe razões da candidatura do PPS em 2014

"Tem que avisar quem defende o apoio ao Aécio, aqui no PPS, que o único jeito de ajudarmos os tucanos é tendo uma candidatura própria e aumentando os votos da oposição, no 1º turno. Do contrário, nós não ajudaremos nada, e muito menos eles nos ajudarão."  
"Uma candidatura própria potencializa o PPS, o tempo de TV, a chance de eleger nossos deputados e nos garante uma sobrevida." 
Moacir Longo, jornalista, presidente de honra do PPS/SP

Candidatura própria ajuda ou atrapalha na eleição de mais deputados federais?


Soninha responde:

Meu objetivo sonhático (desculpe a apropriação do termo) é ser prefeita de São Paulo.

Meu objetivo imediato, concretíssimo, pragmático é ELEGER MAIS DEPUTADOS FEDERAIS, DERROTAR O PT E FORTALECER O PPS a médio prazo. Quero eleger muito mais gente agora e muito mais gente em 2016.

O argumento "candidato próprio" = "menos deputados eleitos" é rudimentar demais.

Como afirmar com certeza que a candidatura própria não elege mais deputados? Sério. Como? Não é pergunta retórica, é convite à reflexão.

Em São Paulo, nos coligamos com o PSDB com a certeza de que teríamos mais chances de no mínimo manter, de preferência aumentar nossa bancada federal. Deu certo - fomos e os eleitos. Dimas Ramalho foi para o Tribunal de Contas do Estado e assumiu o suplente... do PSDB.

Aumentamos, diminuímos...

Dinheiro? Não teremos nunca. Sempre haverá maiores e mais fortes com muito mais facilidade para captar recursos, honesta ou desonestamente.

Dinheiro para as campanhas nos estados - isso é MUITO importante, infelizmente, para eleger deputados. Mas sabemos, realisticamente, pragmaticamente, o quanto o apoio a um ou outro candidato a governador pode ser decisivo para isso... Ou apoio de prefeitos...

A candidatura presidencial própria seria um bônus de mídia espontânea, não paga. Se nosso candidato (eu?) correr interior de estado de braço dado com candidato a deputado, será que não ajuda?

Vcs podem pensar que em alguns lugares eu atrapalho em função da reputação de maluca etc. Mas se surpreenderiam com a quantidade de senhoras de saia longa e cabelo preso ("crentes" rs) que fazem questão de me parar na rua para dizer que são minhas fãs porque admiram minha "coragem". 

Ao vivo, com tempo, de perto eu sou mais "cativante", sério :). E ando no chão como nenhum outro majoritário... Se isso vai me dar muitos votos? Não... Se vai ajudar o candidato a deputado? Será que não?

Temos ou não temos razões para acreditar que uma parte do PPS pode se resignar, mais do que se empolgar, com uma das duas alianças colocadas (por preferir ou acreditar mais na outra, claro?)

Será que nossa candidatura própria tiraria mais votos deles do que dos muitos indecisos, abstenções ou nulos (que aumentam significativamente a cada eleição)? Caso tire votos de Campos/Marina ou Aécio/(Serra?) (uma alternativa a mais na urna sempre "tira" voto de alguém), isso aumenta as chances do PT? Ou aumenta o  número de votos válidos...?

***
Acho que precisamos ser mais "atrevidos" no partido.

Quem defende candidatura própria e acha que eu tenho de ser a candidata, diz.

Quem já tem um candidato e não sou eu, poderia dizer também. E argumentar, claro! Qual é o problema? Parece que os partidários de uma ou de outra aliança preferem não dizer agora... Entendo, mas... Será que precisamos temer (tanto assim?) uma discussão mais aberta?

Ou será que tem espiões aqui? [para descontrair]

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Quem ainda não tem preferência pode continuar como está :)

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Insisto no meu grande receio. Já perguntei em outros dois e-mails.

SE SAIRMOS POR AÍ TESTANDO, NA ESTRADA, A CANDIDATURA PRÓPRIA E DEPOIS O PARTIDO DECIDIR, NO ESPAÇO ADEQUADO (a Convenção, muito lá adiante, quando o cenário pode ter virado de ponta cabeça 23 vezes), QUE VAI FAZER ALIANÇA JÁ NO PRIMEIRO TURNO, o partido sairá mais animado (pela efervescência da discussão até lá) ou mais brochado (pelo Plano C abortado)?

***

Partido querido,

Não tem o menor cabimento fazer uma conta assim:


  • Com candidatura própria: elegemos menos deputados.
  • Sem candidatura própria: elegemos mais.
Ou o contrário disso, tanto faz.

Nós somos bem mais sofisticados que isso!

QUEM eram os candidatos?

Qual era o cenário dos estados?

Como eram as nominatas?

Tinham cabeça forte e cauda consistente?

As chapas para estadual eram boas, ou o partido estava fraco no estado?

Qual o efeito de uma candidatura presidencial própria na eleição nacional seguinte?

E as eleições municipais depois da candidatura Ciro, como foram? Crescemos? Ajudamos a fortalecer a bancada federal na eleição seguinte?

Uma eleição não serve de parâmetro para a outra, em contextos completamente diferentes!

***

Em São Paulo, onde coisas malucas e horríveis acontecem:

Eu tive mais de 200 mil votos em 2008 e menos de 200 mi em 2012.

Mas não tenho a menor dúvida de que somos muito mais conhecidos e reconhecidos agora e eu teria tido votação bem maior se não fosse o Russomanno apavorar tucanos e petistas e antecipar o segundo turno.

E, graças aos céus, elegemos ao menos dois vereadores. O terceiro ficou POR UM TRIZ (400 votos)!!

Candidatura própria pode empolgar ou desanimar.
Pode ser uma mala pesada de carregar.
Pode unir ou desunir o partido.

Aliás, tudo isso vale também para uma aliança. OU NÃO?

***

Mais exemplos, mais exemplos.

Marina... 20 milhões de votos... Um fenômeno. Com pouco tempo de TV etc. Com a força das redes etc.

Uniu o PV?

Elegeu governadores?

Elegeu deputados?

A Marina era candidata DO PV? Ou de Marina?

***

Vejam, eu não tenho NENHUMA dúvida de que aumentar nossa bancada federal é FUNDAMENTAL.

Ganhe quem ganhar a próxima eleição, (que, se nosso carma negativo já tiver sido purificado, não será o PT), precisamos ser MAIS FORTES no Congresso. Para tudo, inclusive para sermos mais fortes nas eleições municipais.

Quero sair para deputada federal por tudo isso. To de saco cheio de só ter "as redes" para agitar, quero ter mandato e um pouquinho, ao menos um pouquinho a mais de poder junto a nossa bancada da qual tenho tanto orgulho. "Ah, mas você quer ser prefeita, melhor ficar na Assembleia, não sair de São Paulo". Uma pinoia. Nosso partido tem de ser forte lá em cima.

Para 2014, temos DUAS QUESTÕES QUE NOS SÃO FUNDAMENTAIS:

- O que é melhor PARA O PAÍS? Para a política brasileira, essa coisa horrorosa que temos hoje?

- O que é melhor para o PPS, um partido decente que quer um país idem?

Melhor para o país, temos um consenso: Mais 4 anos de PT não, ou não vai sobrar nada para consertar depois.

Melhor para o partido, idem: temos de ter uma bancada parlamentar maior.

Ok.

A possível candidatura própria:

- É boa para o país?

Como eu AMO meu partido, acredito que sim. Porque somos capazes de fazer uma campanha que não tem NADA a ver com as outras - mesmo. Que pauta temas que os outros não abordam, porque ficam lá martelando "Educação, Saúde e Segurança" (ou "Sustentabilidade"...). Palavras, palavras. É como ser a favor da Paz Mundial. Que candidato não seria?

Falamos de política energética, política urbana, pacto federativo com profundidade, com seriedade. Também não somos o PSOL, sem compromisso nenhum com a realidade, franco-atirador. Esses só querem mesmo eleger parlamentares (raras exceções, como o Freixo). Não querem governar.

Temos consistência, estofo. Honestidade intelectual. Não vamos ficar pisando em ovos, esperando o que o tracking diz sobre o programa eleitoral de ontem para decidir se falamos mais grosso ou com mais suavidade - como farão os outros...

Acredito que o PPS pode ser a brisa (sem piadas canábicas, por favor), o alívio. Roberto tem de ser firme, só não pode falar o tempo todo "o lulopetismo dos mensaleiros", senão satisfaz muito alguns ("UFA, alguém com cojones!") mas afasta outros.

- É boa para o partido?

Acredito que SIM.

Porque qualquer uma das alianças nos desune, INFELIZMENTE. Em 2006, 2010, apostamos (vcs apostaram em 2006, eu ainda era Lula :oP ) que o candidato tucano era O que tinha chance de derrotar o lulismo. Não sei se o partido chegou a ficar em dúvida em relação a alguma outra possibilidade...

Hoje, existe um divergência - saudável, honesta! - entre nós. Se formos Aécio, será uma imensa decepção para quem acreditava que desta vez, não iríamos com o PSDB. Será brochante em alguns estados...

Se formos Eduardo, IDEM. Para quem pensa que ele é um aventureiro-dissidente que não tem nada a perder etc.

E a aliança nacional pode inviabilizar algumas coligações muito interessantes nos estados - que é onde os deputados federais se elegem, oi?

***

Então quero dizer que:

Nosso plano A era candidatura própria. As alternativas A e B não deram certo (e a culpa não foi nossa não, foi deles. Não são corajosos como a gente). Agora estamos discutindo a C e D... e a candidatura própria, portanto, é a opção E? Não é contrariar o que decidimos, juntos, no planejamento estratégico? O que o partido definiu para si?

CLARO que podemos mudar de ideia. Mas caramba, se não cogitarmos, ensaiarmos, testarmos, pesquisarmos, consultarmos, não tem cabimento dizer "Já que não tem Marina nem Serra, vamos agora decidir qual dos outros apoiaremos, porque ter candidato próprio elege menos deputados federais". Pára....

***
Eu posso ser convencida, ao longo do processo de consulta, ensaio etc., que candidato próprio será ruim para o país e para o PPS. Não é como penso agora.

E eu topo sair por aí testando. Podem me chamar que eu vou... Depois de achar que era uma ideia sem o menor cabimento (mesmo tendo sido Rubens Bueno o primeiro a cogitar, e muito me surpreendeu quando eu soube que ele estava falando SERIO), comecei a aceitar pensar nisso quando ficamos sem candidato próprio. Os argumentos dele e do Mauricio fazem muito sentido pra mim.

Eu não tinha O MENOR ânimo de sair em 2014 fazendo campanha no Brasil inteiro. Deus meu, sem sair da frente do computador em 2010, eu quase morri. Agora tenho, se for esse o caso. Se concluirmos que eu uno e empolgo o partido. Que não serei uma mala difícil de carregar. Que a maioria do PPS mais confia do que desconfia de mim e minhas ocasionais palavras mal medidas. O jeito é testar.

Será que perdemos alguma coisa em testar? Perguntemo-nos isso. Já que temos tempo; já que não vamos nos entregar facilmente a um lado ou outro. Se ensaiarmos e, lá na frente, resolvermos abrir mão e entrar em uma aliança, isso será ruim, acabará prejudicando nosso objetivo FUNDAMENTAL de eleger mais federais? Ou fazer a caravana agora pode unir o partido MESMO que no fim não tenhamos candidato próprio?

Pensemos nisso, por favor...

Vamos sair por aí debatendo... Eu, Roberto, Raul, quem mais? É feio isso, ou é bonito?  (É sério, não irônico - a essa altura, muita gente morre de medo de darmos "vexame"... Se debatermos e lá  na frente abdicarmos da candidatura própria, a militância já terá sido energizada e convencida da importância de confiar e fortalecer o partido ou talvez seja desmotivada por mais um "parece-que-vai-mas-não-vai"?)

Enquanto escrevia, fui refletindo mais e mais e concluí qual é, pra mim, A questão:

PARA SERMOS MAIORES, termos mais eleitores nos estados e elegermos mais parlamentares, precisamos de gente EMPOLGADA, UNIDA, DISPOSTA a enfrentar os Godzilas que são nossos adversários, obstáculos e inimigos (falta de grana etc etc).

SE passarmos os próximos meses oferecendo ao partido, Brasil adentro, a possibilidade de termos candidatura própria, e depois desistirmos dela (por razões muito bem pensadas, claro! continuará sendo uma possibilidade) estaremos dando um golpe na motivação e união? Ou teremos nos mobilizado o suficiente para ir pra cima das urnas com voracidade e amor e eleger muitos federais, COMO PRECISAMOS?

***
Confesso que tenho medo da segunda hipótese. De cogitar seriamente e depois não ter candidatura própria ser um golpe forte na nossa tão frágil motivação.

sábado, 5 de outubro de 2013

Explicando ponto a ponto a candidatura própria do PPS

Entenda a proposta de candidatura própria do PPS, ponto a ponto...

De acordo com a pesquisa Datafolha divulgada em 12 de outubro e TODAS as análises feitas a partir dos dados divulgados desde então, há um vácuo a ser ocupado à direita (Caiado? Katia Abreu? Feliciano?) e outro à esquerda (PSOL? PPS?). 

Veja a pergunta que se coloca: Nós, do PPS, não podemos apresentar uma campanha leve, independente, criativa, propositiva? Isso não é bom para eleger nossos deputados? Não mobiliza? Não mostra a nossa "marca" e a nossa cara para a sociedade?

As candidaturas Eduardo/Marina e Aécio estão no nosso campo de atuação. O verdadeiro adversário está do lado de lá: o PT de Dilma e Lula.

E o que dizer da oportunidade de lançarmos a única mulher na disputa contra Dilma? E a única candidatura oriunda de São Paulo?

Sem contar que pautaríamos a mídia e os debates com temas que os outros candidatos tem pavor! Mas somos iguais aos outros? E os nossos 91 anos de História?

Nossos 16 segundos, que seriam diluídos numa coligação, sem o devido valor, viram cerca de 2 minutos exclusivos do PPS na propaganda eleitoral, com tempo idêntico de inserções ao longo do dia.

Temos uma identidade nacional, temos proposta, temos cara, somos o único partido que ajudou a eleger Lula e fomos para a oposição por questões programáticas, não eleitorais. Ao contrário, entregamos os cargos quando o governo do PT estava em alta!

Uma candidatura própria em 2014 não afeta em nada as coligações estaduais. Não existe mais verticalização. Cada Diretório Estadual é LIVRE para suas alianças, com os partidos e candidatos do nosso campo, sem constrangimentos. 

Também poderemos continuar dialogando e até dividindo o palanque com Aécio e Eduardo/Marina, sem que isso seja visto como alguma “traição”. E sem que os nossos parlamentares se desesperem por conta de seus interesses locais, ou rachem o partido.

Temos o nosso espaço no 1º turno, temos um lado bem definido. No 2º turno estaremos todos juntos contra a máquina governista.

É o que está posto para o PPS: um papel protagonista (como tivemos em 1989 com Roberto Freire, em 1998 e 2002 com Ciro Gomes, e mesmo quando apoiamos Alckmin informalmente em 2006 e coligamos com Serra em 2010, tínhamos um papel muito mais destacado; não teríamos o mesmo peso, pelas atuais circunstâncias, coligados num 1º turno em 2014, mas no 2º... a cobra vai fumar! ... ops, não é sustentável nem ecologicamente correto ☺).

Hora da verdade para o PPS

1) Chegou a hora da verdade para o PPS: assumir definitivamente uma posição fora da polarização PT x PSDB, incorporando-se a esse terceiro pólo criado para inaugurar o chamado período "pós-PT" (e pós-PSDB, a quem também fomos oposição no governo, nunca é demais lembrar), ou permanecer satélite dos tucanos, como nos últimos 11 anos. 

2) Tomar partido de Eduardo/Marina ou de Aécio, já no primeiro turno, é uma decisão legítima e correta, mas parece impossível de obter consenso. Para dar exemplos nominais (apenas dois, entre tantos no país inteiro): Minas Gerais irá de Aécio Neves, enquanto o Maranhão (nossa candidata ao Governo, Eliziane Gama) irá de Eduardo/Marina. Estamos preparados (somos grandes o suficiente?) para rachar dessa forma? É isso que nos interessa? Definir um lado agora e reduzir ainda mais o partido? Ou temos alguma outra estratégia que eu desconheço? 

3) Daí a tese "maluca" da candidatura própria, na linha do "limite do absurdo" ensinado por Marina. Não é para ganhar, óbvio, mas para pautar o debate. Para ter alguma referência nacional de PPS, preservar a nossa marca e identidade, e garantir espaço maior na TV, nos debates, na propaganda e nas inserções (os cerca de 16 segundos do PPS sem candidatura, que pouco valor terão somados à alguma coligação, devem saltar para quase 2 minutos com uma candidatura própria, que divulgue exclusivamente o PPS). 

4) Os interesses regionais serão mantidos, pois estará pactuado desde o início que iremos no 2º turno com aquele que chegar contra o PT. Não haverá "traição": se, por exemplo, o PPS apoiar o PSDB no 1º turno e tiver candidatos ao Governo e/ou parlamentares no palanque de Eduardo/Marina, ou vice-versa, estaria sacramentada a traição. Do contrário, se o PPS tiver um palanque próprio, independente (reduzido, é verdade), permanecerá dialogando e transitando com as outras candidaturas de oposição até o 2º turno. Nosso adversário não estará neste campo, mas no governo. 

5) Digamos que o PPS apóie Aécio no 1º turno, como já se manifestaram os diretórios de Minas e Rio, por exemplo. Além de reforçar o estigma de que o PPS é linha-auxiliar do PSDB, se eventualmente Aécio não chegar no 2º turno seremos dizimados junto com os tucanos. Apoiando o PSB, vale o mesmo raciocínio. 

6) É paradoxal: se é verdade (com a negativa de Serra) que estávamos mais próximos de Eduardo OU Marina, a união de ambos abre um vácuo na disputa e na representatividade de um segmento significativo do eleitorado (Quem vai ocupá-lo: PSOL? PDT? PV? Algum nome da direita? Ou o PPS? O fato é que alguém vai tentar e se dar bem).  

7) Por último, o único argumento contra uma candidatura própria é a falta de estrutura e ressonância (interna e/ou externa). É possível. Há um risco enorme, quase certo. Mas seria uma última tentativa de ter algum protagonismo e autoestima num ano de sucessivas frustrações (MD, Serra, Marina) e que nos reserva papel coadjuvante em qualquer apoio no 1º turno. Daí também o motivo de optarmos por uma candidatura própria com algum apelo popular/midiático: do grau de uma Soninha ou de um Joaquim Barbosa. Do contrário, ser mais do mesmo, também não resolve muito. Seremos traço. 

A refletir.

Candidatura própria do PPS em 2014?

Nossas maiores lideranças, Roberto Freire, Rubens Bueno, o retorno do Raul Jungmann, além de Arnaldo Jardim, Carmen Zanotto, Arnaldo Jordy, etc. são imprescindíveis na Câmara. Já estamos fragilizados o suficiente para abrir mão dos melhores deputados que temos.

Conhecendo todas as limitações de uma campanha com pouca estrutura (tivemos duas em São Paulo, com quase nenhuma)

Sabendo que nossos deputados, para se eleger, precisam de uma estrutura forte (o PSDB ou o PSB nos garantiriam isso, mas nada nos impede de pactuar desde já um apoio no 2º turno, e preservarmos nossa "marca" no 1º)

Sabendo que uma mulher para enfrentar Dilma seria fundamental

Lembrando a força que tiveram nas eleições que disputaram, Heloisa Helena e Marina Silva (duas ex-petistas)

Reconhecendo o peso de uma candidatura outsider (Heloisa, Cristóvão, Plinio, Marina, Garotinho, Ciro, Roberto)

Possibilitando ao eleitorado uma proposta de terceira via que seja verdadeiramente oposicionista (e não um plano B de Lula)

Lançando uma candidatura jovem, identificada com propostas verdadeiramente ligadas ao tema da diversidade e às vozes das redes e das ruas

Ocupando um espaço de quem se vê frustrado com a saída de Marina do páreo

Pensando na força midiática da campanha e na participação nos debates da TV

A proposta inicial que se apresenta é:

SONINHA FRANCINE (SP) PRESIDENTE 23

HENRIQUE HARGREAVES (MG) – ex-ministro do Itamar Franco - VICE 23

Uma dupla “café-com-leite”, com orgulho!

A ideia da Soninha Francine candidata é exatamente para dialogar com os movimentos das redes e das ruas, ter uma candidatura diferenciada, propositiva, midiática, que paute outros temas que não aqueles ditados pelos marqueteiros do “status quo”...

Com o respaldo de um vice com a experiência e a simbologia política de Henrique Hargreaves, resgatando o papel fundamental de Roberto Freire no governo Itamar Franco (e os princípios do próprio Itamar), combatendo a “velha república” com uma característica dela própria (café-com-leite, que tem um sentido irônico também com a nossa saudável “desimportância”, o que nos deixa mais leves e soltos), e reunindo o que temos de mais representativo da BOA política (nova ou velha são adjetivos secundários e subjetivos). 

Quanto a ser “oposição” (o que já parece óbvio), teremos uma diferença essencial, seremos uma terceira via diferente de Eduardo e Marina, pois ambos não se opõe a São Lula, o pai dos pobres. Até tentaram ligar antes pra ele pra contar a novidade do casório de ontem. Isso é terceira via? Contra o PT, mas a favor de Lula? Como assim? 

Nesse sentido o PPS é mais oposição, sim. Contra o PT, contra Dilma, contra Lula, contra os mensaleiros. 

Mas não somos contra tudo e contra todos. Somos a favor de um governo que amplie as conquistas sociais, que defenda a qualidade de vida, que proponha um desenvolvimento sustentável, que respeite as instituições e se mantenha dentro das regras democráticas e republicanas.

Quanto às realidades locais (sabemos da importância que terão as composições estaduais para eleger nossos deputados), uma candidatura presidencial independente facilita o apoio aos governadores e candidatos do nosso espectro político, estejam eles no PSDB, PSB, PSOL, PDT, PV, SDD, no próprio PPS ou em outra legenda. 

Pés no chão, não lançaremos uma candidatura do PPS com a pretensão de chegar ao 2º turno, mas sim de pautar as MUDANÇAS que desejamos para o Brasil, temas como diversidade (quem representa as minorias?) e até respostas que são cascas de banana lançadas pelos adversários (drogas, aborto, gays etc.).

Por que não? O PPS quer sobreviver a 2014? Ou quer ser eternamente tratado como força menor, subalterna, partidinho que se encaixa em qualquer espaço que sobra dos “grandes”? 

Quanto a Eduardo/Marina ou Aécio, o apoio fica para o 2º turno. Isso pode ser pactuado com ambos, desde já. Não nos desgastamos publicamente tomando partido de um deles agora, preservamos a nossa “marca”, a nossa identidade, seguimos o nosso Planejamento Estratégico (candidatura própria, terceira via, nova política) e no 2º turno certamente estaremos ao lado de quem chegar contra Dilma. 

Vivemos o momento de resgatar a nossa auto-estima, a nossa história e sermos coerentes com a tese de que quanto mais candidatos de oposição no 1º turno, melhor.  

terça-feira, 1 de outubro de 2013

#REDE 23 - A Rede da Esquerda Democrática



Em resumo, o conceito da #REDE23 é o seguinte:

Na democracia contemporânea os partidos não se bastam. Dependem, para fazer política, do estabelecimento e manutenção de redes de relações com movimentos, instituições, grupos na internet e até com personalidades influentes nos temas que trabalham. 

O partido não pode manter mais a posição de vanguarda da época da circulação restrita de informação e deve assumir a postura de interlocutor dos movimentos, co-formulador de suas reivindicações, à luz de suas diretrizes mais gerais, e seu tradutor na linguagem das leis e das políticas públicas.

Para tanto, surge a #REDE23, um movimento de discussão e mobilização em torno de objetivos comuns, que abrange outras siglas partidárias, entidades, organizações, sindicatos, associações, cidadãos interessados e grupos organizados na internet. 


A #REDE e a #NovaPolítica não são exclusividade de uma só legenda, uma única liderança ou um grupo restrito. É uma iniciativa que reúne gente de bem, de dentro e de fora dos partidos!

#REDE23 = Partido é interlocutor dos movimentos, co-formulador de suas reivindicações e tradutor na linguagem das leis e políticas públicas.


Devemos sair da "zona de conforto" e avançar, dialogar, agregar esforços, idéias e pessoas neste movimento transformador. Que venha a política em #REDE.

A #REDE não substitui a participação física do cidadão, sua presença na rua, o compromisso com a mudança, assumido com responsabilidade pessoal.

Em termos de participação política, a #REDE torna possível mobilização instantânea, sempre que agenda formulada encontre eco na sua motivação.

Não subestimemos potencial de mudança revolucionário que novas tecnologias da informação trazem aos cidadãos em #REDE. 


A política deixa de ser monopólio dos partidos, embora as eleições no Brasil ainda o sejam. Esse é o maior desafio a ser enfrentado em #REDE.

Há crise de representação política em todos os países democráticos. #REDE = Cidadão não quer mais intermediários para atender suas demandas.

#REDE deve ser capaz de colocar o Brasil na rota do desenvolvimento sustentável e gerador de riquezas para distribuir com justiça a renda nacional.

Objetivo da #REDE23 é debater nas ruas e nas redes com cidadãos interessados, movimentos, instituições, outras siglas partidárias e entidades diversas.

Em #REDE devemos defender mudanças estruturais profundas: reforma do Estado, reforma tributária, reforma política, reforma do Judiciário.

Fazemos política em #REDE por via alternativa para governar o país, fortalecer a democracia e desenvolver o poder local.

Podemos e queremos ser protagonistas desta #NovaPolítica, tanto na forma quanto no conteúdo. 


Atuamos em #REDE para proporcionar ação eficaz e revolucionária daqueles que já fazem (ou que pretendem fazer) política também por fora dos partidos.

A #REDE torna factível a oportunidade de consolidar uma nova formatação política diante da crise do atual modelo partidário (aqui e no mundo).

Política em #REDE para livrar os partidos das armadilhas burocráticas e das amarras hierárquicas; Política em #REDE verdadeiramente acessível e inteligível para a sociedade.

Muito se fala da #NovaPolítica, da falência do atual modelo partidário e da crise de credibilidade das instituições. Faça parte da #REDE23
!


Desde o Congresso Nacional do PPS em 2011, foi adotado esse conceito da #REDE23, por sugestão do Blog do PPS, que desde 2007 é fonte de informação e referência para jornalistas, militantes partidários e cidadãos em geral que buscam notícias confiáveis e opiniões coerentes.

Ou seja, apesar de vinculado a um partido político, o Blog do PPS faz política em#REDE, mantém a sua independência, defende e exercita a plena liberdade de expressão e a pluralidade ideológica, contribuindo para o aperfeiçoamento constante da democracia, com princípios e valores republicanos compartilhados para a construção de uma sociedade mais justa, solidária, democrática e sustentável.

Leia também:

"Nova Política": PPS inaugura a era da #REDE23


Algumas ações concretas para a "nova política"

Muito se fala da "nova política", da falência do atual modelo partidário e da crise de credibilidade das instituições políticas. O processo congressual do PPS, que concluiu pela "refundação" do partido e a reafirmação do sonho de reunir a sociedade em um novo movimento, somado à tese bastante semelhante que foi apresentada por Marina Silva na sua desfiliação do PV e na busca de um Movimento por uma Nova Política, são fatores convergentes que permitem uma visão otimista sobre a oportunidade de mudança gerada pelo momento de crise.

Há uma proposta ousada defendida dentro e fora do PPS, quase utópica, que é avançar para a política em "REDE", livrar o partido das armadilhas burocráticas, das amarras hierárquicas e abrir verdadeiramente as suas decisões para a sociedade. Trata-se do princípio da "radicalidade democrática", definição genérica que pode enfim ter um significado concreto com a transição do PPS para #REDE 23, sigla e símbolo emblemático desta “nova política”.

Está lançada a oportunidade de consolidar a nova formatação política que vinha sendo proposta desde 1992, com o surgimento do PPS, e que agora se torna factível diante da crise do atual modelo partidário (aqui e no mundo) e da atuação eficaz e revolucionária daqueles que já fazem (ou que pretendem fazer) política por fora dos partidos.

Podemos ser protagonistas desta “nova política”, tanto na forma quanto no conteúdo.

Como colocar em prática a #REDE 23 – Rede da Esquerda Democrática

Estamos propondo cinco medidas bastante simples, práticas e concretas para iniciar a implementação “radicalmente democrática” desta #REDE23, promovendo a interação nas redes sociais, descentralização, transparência e democratização das decisões de uma ação política coletiva com direção compartilhada:

1) Implantação da consulta online sobre os temas em pauta, tanto em reuniões presenciais do Diretório como em conferências virtuais, permitindo o voto “sim”, “não” ou “abstenção”, e sua justificativa, desde que devidamente identificado (membros titulares e suplentes de cada instância têm direito ao voto como se estivessem presentes fisicamente; demais militantes e simpatizantes também se manifestam e o resultado obtido por maioria simples será contabilizado como um voto válido para deliberação naquela instância, contando inclusive como primeiro critério de desempate, ou voto de minerva).

2) Conferências virtuais e consultas online para tratar de temas de interesse do partido e da sociedade podem ser propostas a qualquer tempo, por convocação do Presidente, da Comissão Executiva, do líder da bancada parlamentar ou por requerimento da maioria simples dos membros do Diretório.

3) Criação da Coordenação ou Secretaria de Redes Sociais, para garantir a interação permanente por todos os meios virtuais disponíveis com todos os dirigentes, detentores de mandato, militantes e simpatizantes, incluindo a realização de conferências virtuais e consultas online (que podem ser requeridas e efetuadas num prazo mínimo de 48 horas, de acordo com a urgência do tema).

4) Divulgação e transmissão de todas as reuniões do Diretório e/ou de sua Comissão Executiva, com interação de militantes e simpatizantes, assim como a disponibilização permanente, em todos os meios de comunicação do partido, de um espaço livre e democrático para o debate e a formulação de propostas.

5) Escolha, por meio das redes sociais, do “vereador virtual” em 2016, representante do partido que se comprometa a realizar uma campanha diferenciada - terá custo zero, apenas com apoiadores voluntários e nenhuma utilização de material que suja a cidade (panfletos, faixas, pintura de muros, carros de som) – e, se eleito, um mandato coletivo (a atuação do vereador ou da vereadora virtual será toda pautada por consulta direta à população, em tempo real, através da internet ou de outros recursos tecnológicos). Veja detalhes da idéia lançada na última eleição pelo PPS/SP: www.vereadorvirtual.blogspot.com

A contribuição de São Paulo ao Congresso do PPS

A definição da linha política do PPS começou a ser traçada no 17º Congresso Nacional do partido, intitulado “Por uma Esquerda Democrática para Mudar o Brasil”, realizado em São Paulo nos dias 9, 10 e 11 de dezembro, e já estava sintetizada no “Documento para Debate” elaborado pela Comissão Executiva do Diretório Nacional, a partir de contribuições recebidas no Fórum criado exclusivamente para este fim.

Assim, neste receituário genérico da “Esquerda Democrática para mudar o Brasil”, como propõe utopicamente o Congresso, estamos parcialmente atendidos pelo documento inicial.

Porém, o PPS de São Paulo entende que pode contribuir mais concretamente com este processo, detalhando alguns pontos práticos de mudanças propostas e reafirmando outros princípios, conceitos e valores que devem nortear a nossa atuação cotidiana.

Com este objetivo, os diretórios do PPS paulista, presidido por Davi Zaia, e paulistano, sob a presidência de Carlos Fernandes, nomearam uma Comissão de Sistematização de Propostas (composta por Alberto Aggio, Dina Lida Kinoshita, Maurício Huertas, Moacir Longo e Soninha Francine) para elaborar esta contribuição de São Paulo para o conjunto partidário - aprovada por unanimidade nos dois congressos (municipal e estadual).

A partir da produção dos membros desta Comissão, enriquecida pela participação essencial de militantes do PPS que merecem ser mencionados, como os dirigentes nacionais Caetano Araujo e Raulino Oliveira, e os coordenadores da Juventude, Tiago Franco Toledo e Peterson Ruan, bem como o vereador Claudio Fonseca e seu chefe de gabinete, Paulo Cesar de Oliveira, entre outros, apresentamos a sistematização das propostas recebidas.

Como afirma o presidente de honra do PPS/SP, Moacir Longo, precisamos de um projeto concreto para os municípios do Estado de São Paulo e para o País, acompanhado de uma proposta de mudança na nossa atual formação partidária.

Nós, e as demais forças de esquerda, democráticas e progressistas de oposição ao atual sistema de Poder implantado pelo "lulopetismo", estamos carentes de um programa objetivo e construtivo para sair da perplexidade e da passividade.

Precisamos criar uma via alternativa para governar o Brasil, fortalecer a democracia, desenvolver o poder local e distribuir melhor a renda nacional, entre outros avanços de caráter social, econômico e cultural que contemplem a cidadania.

O PPS defende mudanças estruturais profundas: reforma do Estado, reforma tributária, reforma política, reforma do Judiciário, que serão detalhadas em documentos específicos.

A intenção do PPS de São Paulo é oferecer esta contribuição ao debate nas ruas e nas redes com cidadãos interessados, movimentos, instituições, outras siglas partidárias, entidades e associações para chegar à formulação de um projeto transformador, capaz de colocar o Brasil na rota de um desenvolvimento sustentável e gerador de riquezas para melhor distribuir, com justiça, a renda nacional.

Esse novo movimento, juntamente com o passo firme na direção de uma nova formação partidária, precisa não apenas demonstrar para a sociedade brasileira que é de oposição consciente ao atual governo federal e ao sistema de poder por ele montado, mas também – e principalmente – que é portador de um projeto de mudanças e de desenvolvimento do País que sirva de base para construção da nova sociedade que todos almejamos.

Sem essa iniciativa na construção de uma formação partidária mais ampla e na formulação de um programa objetivo de mudanças, não conseguiremos interromper o declínio que o nosso partido - e os demais partidos ideológicos - vem experimentando, claramente demonstrado nas seguidas quedas de votação e redução da nossa influência no processo político.

Identidade oposicionista, identidade partidária

O PPS conseguiu sucesso em afirmar a sua identidade nacional oposicionista junto ao eleitorado. Nesse ponto, o eleitor sabe, com clareza, onde estamos e a quem criticamos. Não tem a mesma clareza sobre o que propomos. Ou seja, não tivemos o mesmo sucesso na afirmação de nossa identidade programática, política e partidária.

Qual a nossa diferença em relação aos demais partidos oposicionistas? Os eleitores ignoram. Hoje o eleitor descontente vota no PPS muito mais em razão do mérito pessoal dos candidatos que da afirmação clara de uma proposta partidária diferenciada.

Esta é a grande questão do Congresso, que precisaremos enfrentar. Para isso teremos que debater temas como a atualidade e o significado da oposição entre esquerda e direita, a velha e a nova política, o fracasso histórico dos modelos formados na esquerda, o fim do revolucionarismo e a insuficiência do estado de bem-estar social num mundo globalizado, que assiste à retração do trabalho assalariado tradicional.

A procura da equidade e da justiça social por meio da política continua a ser a questão central da esquerda, que dela se desviou na ilusão dos atalhos autoritários. Os objetivos da esquerda continuam radicais e, nesse sentido, revolucionários. Mas o caminho da mudança passa necessariamente pela construção de acordos progressivos, no espaço da institucionalidade democrática. Mudança sem democracia, sem deixar aberta a porta da correção de rumo, não é sustentável.

Nova política, novo partido

Há uma crise da representação política em todos os países democráticos, provocada pela revolução havida na informação. O cidadão não precisa hoje de intermediários para levar suas demandas aos representantes eleitos.

Com isso, a política deixa de ser monopólio dos partidos, embora as eleições no Brasil ainda o sejam. O resultado é a queda no número de filiados de todos os grandes partidos do Ocidente e em suas contribuições financeiras, com o conseqüente aumento dos recursos públicos no financiamento da política.

Há uma crise de representação adicional no Brasil, devido à nossa legislação eleitoral, que se traduz em partidos frágeis, mandatos personalizados, fraqueza do Legislativo (ou, como explicita Soninha Francine: "o Legislativo que chantageia o Executivo até que a maioria se integre à ´base governista´, sob condições que conhecemos bem - sendo a ocupação de cargos por pessoas sem a mínima condição para tal a mais visível delas-, formando então um rolo compressor que massacra a oposição"), eleições caras e descrédito popular. Esse modelo funciona à base de práticas de financiamento já inaceitáveis para a opinião pública e tornou-se uma fábrica de crises.

Os partidos brasileiros, inclusive o PPS, sofrem as conseqüências combinadas dessas duas crises. Para enfrentar a segunda, o PPS apresentou uma série de propostas de reforma, entendidas como primeiro passo para reformas mais amplas, na política e no Estado.

Para enfrentar a primeira crise, é preciso discutir seu caráter. Não subestimemos o potencial de mudança, revolucionário, que as novas tecnologias da informação, em especial a internet, atualizam todos os dias. A questão está no seu significado.

Em termos de participação política, a comunicação em rede torna possível a mobilização instantânea, sempre que a agenda formulada na rede encontre eco na motivação dos manifestantes.

A primavera árabe é o exemplo mais recente, de maior repercussão. Mas a comunicação na rede não substituiu, nesse e em outros casos, a participação física do cidadão, sua presença na rua, o compromisso com a mudança, assumido com o risco de violência, prisão ou morte.

Entendemos que o mesmo se dá com a representação. O significado da crise de representação não é a demanda por seu fim, pela participação pura, em condições tecnológicas que garantiriam sua viabilidade, e sim a demanda de outra representação, de qualidade maior.

Se o argumento está correto, o papel dos partidos e sua organização interna mudam por completo. Partidos não mais são os delegados de classes e segmentos sociais, para os quais formulam, decidem e implementam políticas. Partidos são definidos por diretrizes políticas gerais e formulam políticas específicas na interlocução com movimentos interessados em cada assunto. Partidos formulam em conjunto e transportam para o mundo da representação, da produção das leis, a política assim elaborada. Nesse processo, a rede é fundamental.

Nessa lógica, que defendemos, o PPS precisa atuar em duas frentes. A primeira é renovar o “partido para dentro”, a organização partidária tradicional, definida em lei e por ela mantida, o partido composto, em sua grande maioria, por militantes interessados de uma ou outra forma na disputa eleitoral. Isso significa aumentar a transparência, aperfeiçoar o processo de prestação de contas das direções, generalizar a prática da direção coletiva.

A segunda é construir o partido para fora, o espaço de interlocução com políticos, partidos, movimentos, instituições, comunidades na rede, indivíduos. Sem esse partido para fora não há formulação de propostas de políticas publicas, não há capacidade de mobilização, sequer há sucesso eleitoral, pois está mais do que claro que militância hoje não é suficiente para vencer eleições. Eleições são decididas pela confiança do cidadão, ou pelo recurso a meios escusos.

A idéia de partido para fora estava no fundo da proposta, nunca realizada, de nova formação política do PPS desde 1992. Talvez hoje a #REDE23 seja o caminho.

#REDE23 - A REDE DA ESQUERDA DEMOCRÁTICA

A transição do PPS para #REDE23

Sair da "zona de conforto" para ser protagonista


"(...) PPS, antigo Partido Comunista Brasileiro: serve uma excelente retórica de esquerda somada a uma prática frágil. O PPS subsistirá, mas, como vários partidos, sua vocação é ser coadjuvante - o que não é desonra alguma: também coadjuvantes recebem o Oscar."

A análise acima é do renomado Renato Janine Ribeiro, professor de ética e filosofia da USP, no artigo "O PSDB hoje é uma nau sem rumo", publicado no jornal Valor Econômico de 11 de julho de 2011.

Juntemos esta visão de sermos meros coadjuvantes, que não é apenas o modo como a maioria nos vê de fora, mas também como muitos nos enxergamos aqui dentro, com as diversas manifestações que temos feito sobre a crise do atual modelo político-partidário, a falta de credibilidade dos políticos, a necessidade de "refundação" do PPS e da esquerda democrática, e teremos a centelha desta "nova política" que buscamos.

Ou seja, devemos sair da "zona de conforto" e avançar, dialogar, agregar esforços, idéias e pessoas neste movimento transformador, enfrentar a crise de credibilidade dos políticos e de representatividade dos partidos, mudar a forma de atuação e nos abrirmos verdadeiramente para a sociedade. A oportunidade de mudança está lançada. Seremos coadjuvantes ou protagonistas?

Em linhas gerais:

1) É essencial entender a falência da atual política-partidária brasileira. A fórmula atual está esgotada. Política, hoje, se faz nas redes sociais, nas ONGs, OSCIPs, no mundo do trabalho (à parte de sindicatos), nas escolas (fora da fábrica de carteirinhas da UNE). Os partidos são vistos (e quase sempre são assim mesmo) como um mero agrupamento de interesses corporativos, insensíveis à grande maioria da sociedade.

2) Dito isto, entendemos que o PPS precisa igualmente ser refundado. Podemos repensar nome, forma e conteúdo. Se estamos propondo um novo Movimento - em vez de só mais uma legenda - uma REDE que reúna de maneira mais moderna e eficaz a sociedade, os jovens, a classe média, gente que hoje detesta a política e os partidos, que seja realmente novo e antenado a estas redes sociais, sugerimos um novo conceito, "diferente" e emblemático: #REDE23.

3) Como primeira ação desta Rede da Esquerda Democrática, devemos fazer um grande Congresso (aberto a todas as correntes de pensamento político), e como gesto simbólico ter candidatos a prefeito em todas as capitais do país e em todas as regiões metropolitanas, na construção do Programa Cidades Sustentáveis.

4) É prioritário que busquemos na sociedade e nos demais partidos (todos em crise) os "órfãos" de uma representação política verdadeiramente digna, ética e coerente. Em linhas gerais, se querem rotular (e para nos diferenciar do novo PSD que prega não ser de direita, de esquerda ou de centro), que nos rotulem como uma nova Rede da Esquerda Democrática.

Um partido para a juventude e para a classe média

(Ou um partido para os inconformados, os indignados, os idealistas, os excluídos... e até para quem não quer ouvir falar de partido nenhum!)

Enquanto se especula a criação de novos partidos no Brasil e as atuais legendas se sobrepõem numa sopa de letrinhas rala, insossa e indigesta, sem nenhuma "sustança" ideológica, é chegada a hora de fazer o balanço do PPS, às vésperas de seus 20 anos (ou 90 anos de PCB/PPS, que também serão completados em 2012).

Sabe-se que o Partido Popular Socialista (PPS), herdeiro legítimo do velho Partidão, tem um lastro histórico de lutas pela democracia, pela cidadania plena e por justiça social. O xis da questão é transportar esse passado glorioso para a atualidade, mantendo a coerência, a ética e a unidade, expandindo nossos horizontes e desbravando novos caminhos para o desenvolvimento econômico, político e social - com justiça e sustentabilidade - do Brasil.

O que a sociedade espera, hoje, de um partido político? E o que o PPS tem a oferecer aos cidadãos brasileiros para atender a essa expectativa?

Primeiro, é preciso entender que o atual modelo político-partidário brasileiro está esgotado. Somando-se isso à demagogia, corrupção e outras formas de desonestidade, não é de se estranhar a crônica falta de credibilidade dos políticos, dos partidos e das instituições vinculadas aos três poderes.

O povo brasileiro carece não de um partido, mas de um Movimento verdadeiramente moderno, com políticos sensíveis às demandas sociais e comprometidos com o bem comum. Mas exige, além de um programa viável para o país, que todo esse arcabouço teórico seja traduzido em ações práticas e de fácil assimilação.

Não basta pensar o país e o mundo, é preciso transformá-los. Da solução para um buraco de rua ou a necessária poda de uma árvore à globalização econômica, à sustentabilidade e à paz mundial, cada cidadão tem um amplo arco de interesses e procura um partido que se identifique com estas causas.

O PPS, portanto, tem que ser mais visível, sensível e inteligível à população. Tem que levantar bandeiras que sejam claramente identificadas pelos setores da sociedade que pretendemos atingir. E quais são esses setores? A quem o PPS quer servir?

O PPS é um partido moderno, antenado com o mundo e as novas tecnologias, composto em grande parte por uma nova geração de políticos éticos e comprometidos sobretudo com o que se convencionou chamar de "classe média" no Brasil.

E o que é um partido de "classe média"? Traduzindo: o PPS não é um partido das classes dominantes, das oligarquias, dos banqueiros e dos grandes empresários. Por outro lado, não é um partido assistencialista, que faz da exploração da miséria a sua razão de ser. É o partido do cidadão comum, como eu e você, que batalha no dia-a-dia e tem um senso crítico desenvolvido, espírito contestador e que não se satisfaz com os atuais modelos de governo e de oposição.

O PPS é o partido da juventude, dos aposentados, das famílias que se preocupam com o futuro, com uma educação de qualidade, com a preservação do meio ambiente, com a redução de impostos, com a melhoria dos transportes, com um sistema único de saúde amplo e funcional, com empregos dignos, estabilidade financeira, cultura e lazer.

É o partido do trabalhador que não se vê atendido pelo atual governo federal, por partidos e centrais sindicais subservientes, que abandonam antigas bandeiras e silenciam diante de barbaridades para manter as benesses do poder.

É o partido do jovem que está nas redes sociais e não se vê representado no movimento estudantil oficial, nas instituições que viraram fábricas de carteirinha escolar e que só funcionam como máquinas arrecadadoras de verbas governamentais.

É o partido do aposentado que manifesta a sua indignação com o desrespeito a que é submetido no dia-a-dia, na falta de valorização de toda uma vida de trabalho e dedicação ao país, que acaba se traduzindo na desatenção à saúde e na falta de uma assistência compatível às suas necessidades especiais.

O PPS é o partido contra todas as imposições absurdas à sociedade: contra o voto obrigatório, contra o voto secreto no parlamento, contra o alistamento militar obrigatório, contra a demagogia, contra a falta de transparência e de clareza, contra a burocracia que enlouquece o cidadão honesto e é terreno fértil para a corrupção, contra um governo de medidas provisórias, contra impostos e taxas que se multiplicam indefinidamente sobre o bolso do contribuinte.

O PPS é o partido do imposto único, do incentivo ao primeiro emprego, do voto facultativo, do voto distrital misto, da banda larga de qualidade e a preço justo e do acesso grátis à internet nos espaços públicos.

O PPS é o partido do salário mínimo que permita o sustento da família. Das condições de trabalho decentes para o servidor público. Da faculdade gratuita e de qualidade à população mais carente. Da prioridade ao transporte coletivo. Da promoção da mobilidade urbana democrática e sustentável. Do combate ao tráfico de drogas. Da luta por saúde e segurança. Da valorização da mulher, através do compromisso com a saúde reprodutiva, a segurança e o empenho para o aumento da participação feminina na política. Da igualdade. Da liberdade. Da qualidade de vida.

A democracia e a modernidade

O PPS entende que a política é uma vocação que pede sempre o concurso do pensamento, é uma atividade que deve ser exercida tendo como base a formação permanente e que busca uma identidade que se fundamenta e se faz a partir de uma cultura e uma sensibilidade compartilhada entre seus dirigentes e militantes. Para o PPS a política é concebida e praticada em todas as suas dimensões como uma política democrática que busca a renovação progressista do Estado bem como a melhoria da vida social no seu conjunto.

O PPS busca ser também um partido que não fale apenas de política no sentido convencional do termo. Ele deve se abrir à reflexão e mesmo à expressão de temas que manifestem os dilemas e ao mesmo tempo dinamizam a sociedade contemporânea tais como a real emancipação das mulheres, as questões transversais que marcam as novas subjetividades nas questões de gênero, as perspectivas de sustentabilidade de uma nova economia, etc. Desta forma, o PPS deve ser entendido, visto e compreendido como um organismo inovador e pluralista que abre espaço e amplia o diálogo e a expressão cultural junto aos novos e emergentes sujeitos sociais.

Para o PPS não há antagonismo entre democracia representativa e democracia participativa. A nossa visão da democracia é a da sua reforma permanente. Democracia é a institucionalização do conflito no âmbito das instituições do Estado e também as legítimas manifestações que emergem da sociedade, o pulsar que vem de fora das instituições e que lhe dá vida, renovando o sistema e as formas da política bem como a sociedade em seu conjunto.

O desafio presente do PPS reside na construção de uma alternativa aos dilemas do atual ciclo de “modernização sem modernidade” que ganhou corações e mentes entre os brasileiros nos últimos anos. A modernidade sempre foi um fascínio para a sociedade brasileira. O PPS busca fundir modernidade com política democrática para que ambas se tornem efetivamente uma conquista irreversível de todos nós.

Por que, afinal, um cidadão de bem faz política?

Desconfiança é a palavra-chave da política. Aquele que ousa se filiar a um partido, então, é praticamente execrado. Não é difícil entender os motivos de tanta aversão da sociedade pelos políticos. Basta uma passada de olhos pelo noticiário do dia. Porém, toda generalização é injusta - como toda unanimidade é burra.

No conceito geral, fazer política é praticamente uma confissão de culpa: o sujeito deve estar metido em algum trambique. Mas será mesmo que todo mundo que entra para a política é mal intencionado ou quer tirar alguma vantagem ilícita? O que leva, afinal, um cidadão de bem a se aventurar nesse mundo da política-partidária?

A #REDE23 - Rede da Esquerda Democrática - será praticamente uma trincheira da boa política. Travaremos uma luta diária por mais democracia, justiça, solidariedade, cidadania, ética, igualdade de direitos e de oportunidades entre as pessoas, liberdade de ação, expressão e pensamento, respeito ao ser humano e ao meio ambiente, valorização da família e da comunidade, e uma defesa intransigente do direito à vida.

Dentro do possível, manteremos a isenção e o distanciamento crítico no acompanhamento do dia-a-dia da política. Porém, a ação de qualquer um na luta para que as pessoas tenham casa, comida, emprego, saúde, educação, segurança e sejam tratadas com respeito, dignidade e humanismo, fica bastante limitada se não houver um envolvimento direto no palco central dos acontecimentos: o meio político-partidário.

Isso não significa que fazer política seja concordar com as práticas usuais dos políticos, o fisiologismo, a burocracia, a improbidade administrativa, os esquemas de corrupção, a hipocrisia, a demagogia e o populismo, os desmandos e a preocupação com a defesa de interesses escusos e mesquinhos de grupos ou partidos em detrimento da maioria da população.

Temos por aqui vários exemplos de gente que, mesmo dentro da política, não perdeu a sua integridade, seriedade, honestidade, competência, coragem e arrojo na fiscalização das irregularidades cometidas pelos políticos e pelo poder público. Gente que permanece inabalável na defesa de seus princípios e ideais.

Ao contrário de pessoas que entram na política por interesse ou por vaidade, para ganhar fama e poder ou para garantir privilégios, há uns poucos que pretendem retribuir o que a vida e o trabalho honesto têm lhe proporcionado.

É possível desempenhar um papel político para garantir à maioria dos cidadãos um pouco das oportunidades, da felicidade e da qualidade de vida que hoje uma minoria possui. Se cada um fizer a sua parte com bom senso e boa vontade, podemos juntos atingir mais rapidamente os objetivos e ideais de uma sociedade mais justa, renovada, solidária, íntegra, pacífica e feliz.

Agora, se todos esses argumentos não bastarem, é sempre oportuno recorrer ao dramaturgo alemão Bertolt Brecht, em seu "O Analfabeto Político":

O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas.

O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais.


Cada cidadão, uma voz. E os partidos definham...

O sucesso da campanha presidencial de Marina Silva e a recente debandada de seu grupo do PV, bem como as mudanças que ocorrem mundialmente nos partidos políticos, todos enfraquecidos e desacreditados, são frutos em grande medida da revolução implementada pelas redes sociais.

É evidente que a sociedade - e a juventude, principalmente - não se sente mais atraída ou representada pelos atuais partidos políticos. Hoje em dia a política não se faz necessariamente - ou exclusivamente - pelos partidos.

Cada vez mais, a democracia deixa de ser representativa e passa a ser exercida de forma direta. Cada cidadão, uma voz. E a soma dessas vozes - muitas vezes de forma espontânea e livremente desorganizada - constrói uma nova realidade, que transpassa do mundo virtual para o mundo real instantaneamente, em questão de segundos (ou 140 toques no computador).

Os partidos continuam sendo instrumentos necessários para quem, atendendo as exigências da legislação vigente, pretende disputar uma eleição. Reunem ainda um número significativo de gente bem intencionada, preocupada com a coletividade e disposta a se organizar da forma tradicional, fazer valer seus direitos, chegar ao poder com visão republicana e transformar a sociedade de acordo com a vontade da maioria.

Mas a escassez de credibilidade dos partidos devido à infinidade de escândalos envolvendo políticos e a própria ineficácia e atuação errática das legendas afastam a maioria das pessoas da política-partidária e provoca verdadeira ojeriza aos cidadãos de bem.

Porém, nem todos que atuamos politicamente estamos resignados com a crise. A movimentação dos "marineiros" e a disposição radicalmente democrática do PPS, a partir de seus congressos internos, de promover uma "refundação" e se abrir para as redes sociais, demonstra que ainda há sinal de vida inteligente nos partidos. O que falta, talvez, é que os bons se unam e promovam as mudanças necessárias.

Como fazer política após a falência dos partidos?

Como é, afinal, a "nova formatação política" que o PPS propõe a partir de seus congressos, considerando a falência dos atuais modelos político-partidários no Brasil e no mundo?

Provavelmente não exista ainda - e talvez seja até melhor não haver - uma proposta pronta e acabada. Mas a soma de opiniões diversas, de dirigentes, militantes e simpatizantes, em reuniões presenciais e na participação em redes sociais, aponta exatamente para isso: a prática de uma política muito mais próxima do cotidiano da sociedade, mais ágil, dinâmica, transparente, radicalmente democrática, inovadora e transformadora.

Pesquisas recentes demonstram que 71% dos jovens brasileiros consideram possível fazer política usando a internet, sem intermediários (partidos e políticos). Outros 59% deles afirmam não ter nenhum partido político de preferência.

Quem compreender esta informação e abraçar esta idéia com sinceridade, coragem, ousadia e criatividade - inclusive com o desprendimento de reconhecer este esgotamento do modelo tradicional de organização e mobilização - dará um passo firme na conquista de novos adeptos e na legitimidade de tentar dar vez e voz principalmente aos jovens que não se sentem representados nos atuais partidos.

Internet é arma política para 71% dos jovens

Por: Daniela Lima - FOLHA DE S. PAULO (Segunda, 13 de junho de 2011)

Pesquisa mostra que rede se firma como ferramenta de mobilização alternativa

Descontentes com as instituições políticas tradicionais, os jovens brasileiros consolidaram a internet como instrumento alternativo para mobilização social, mostra pesquisa feita pelo Datafolha em parceira com a agência de publicidade Box.

Para 71% dos entrevistados, é possível fazer política usando a rede sem intermediários, como os partidos.

O dado, segundo especialistas ouvidos pela Folha, revela um esgotamento do modelo tradicional de mobilização e impõe um desafio aos que pretendem assumir a representação dos jovens.

A pesquisa compreendeu uma fase qualitativa, a que se seguiu um painel quantitativo. Neste, foram entrevistados 1.200 jovens com idade entre 18 e 24 anos, em cidades de quatro regiões do país.

"Esse jovem pensa a política de forma menos hierárquica e mostra uma descrença em relações às instituições formais, como partidos ou governo", diz Gabriel Milanez, pesquisador da Box.

O sociólogo e ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirma que "a juventude se comunica diretamente". "Ela salta instituições. É preciso uma liderança que faça a ponte entre a sociedade e a necessidade de organização institucional", disse à Folha.

Exemplos desse "salto" ficaram frequentes no noticiário dos últimos meses.

No Egito, por exemplo, a imagem da praça Tahrir tomada por manifestantes organizados pela internet tornou-se símbolo da queda do ex-presidente Hosni Mubarak. No Brasil, em proporção ainda reduzida, o poder de mobilização das redes sociais também já aparece.

Por fora dos partidos e das organizações tradicionais da juventude, organizaram-se protestos como as marchas da Maconha e da Liberdade, assim como o Churrascão da Gente Diferenciada, contra moradores de Higienópolis, na capital paulista, que fizeram oposição à construção de uma estação de metrô.

Para o professor de filosofia da USP Vladimir Safatle, são eventos que apontam para um momento de transição.

"A forma partidária chegou a um esgotamento e as demandas vão se expressar de uma nova forma. Há, no entanto, uma questão em aberto, que diz respeito a como a sociedade vai se organizar a partir daí", diz.

Marco Magri, um dos coordenadores da Marcha da Maconha e ativista de outros movimentos organizados pela rede, reconhece a "falência" do que chama de "política institucional". "O descontentamento com esse modelo se reflete no tamanho das mobilizações que anônimos conseguem promover."

"Essa política tradicional está fadada a perder espaço. E a nós caberá o desafio de levar aqueles que se mobilizam na internet às ruas, que é o que provoca algum resultado", avalia.

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