
Em resumo, o conceito da #REDE23 é
o seguinte:
Na
democracia contemporânea os partidos não se bastam. Dependem, para fazer
política, do estabelecimento e manutenção de redes de relações com movimentos,
instituições, grupos na internet e até com personalidades influentes nos temas
que trabalham.
O
partido não pode manter mais a posição de vanguarda da época da circulação
restrita de informação e deve assumir a postura de interlocutor dos movimentos,
co-formulador de suas reivindicações, à luz de suas diretrizes mais gerais, e
seu tradutor na linguagem das leis e das políticas públicas.
Para tanto,
surge a #REDE23, um movimento de discussão e mobilização em
torno de objetivos comuns, que abrange outras siglas partidárias, entidades,
organizações, sindicatos, associações, cidadãos interessados e grupos
organizados na internet.
A #REDE e
a #NovaPolítica não são exclusividade de uma só legenda, uma
única liderança ou um grupo restrito. É uma iniciativa que reúne gente de bem,
de dentro e de fora dos partidos!
#REDE23 = Partido é
interlocutor dos movimentos, co-formulador de suas reivindicações e tradutor na
linguagem das leis e políticas públicas.
Devemos
sair da "zona de conforto" e avançar, dialogar, agregar esforços, idéias e
pessoas neste movimento transformador. Que venha a política
em #REDE.
A #REDE não
substitui a participação física do cidadão, sua presença na rua, o compromisso
com a mudança, assumido com responsabilidade pessoal.
Em termos de
participação política, a #REDE torna possível mobilização
instantânea, sempre que agenda formulada encontre eco na sua
motivação.
Não subestimemos potencial de mudança revolucionário que novas
tecnologias da informação trazem aos cidadãos
em #REDE.
A
política deixa de ser monopólio dos partidos, embora as eleições no Brasil ainda
o sejam. Esse é o maior desafio a ser enfrentado
em #REDE.
Há crise de representação política em todos os
países democráticos. #REDE = Cidadão não quer mais
intermediários para atender suas demandas.
#REDE deve
ser capaz de colocar o Brasil na rota do desenvolvimento sustentável e gerador
de riquezas para distribuir com justiça a renda nacional.
Objetivo
da #REDE23 é debater nas ruas e nas redes com cidadãos
interessados, movimentos, instituições, outras siglas partidárias e entidades
diversas.
Em #REDE devemos defender mudanças estruturais
profundas: reforma do Estado, reforma tributária, reforma política, reforma do
Judiciário.
Fazemos política em #REDE por via
alternativa para governar o país, fortalecer a democracia e desenvolver o poder
local.
Podemos e queremos ser protagonistas
desta #NovaPolítica, tanto na forma quanto no
conteúdo.
Atuamos
em #REDE para proporcionar ação eficaz e revolucionária
daqueles que já fazem (ou que pretendem fazer) política também por fora dos
partidos.
A #REDE torna factível a oportunidade de
consolidar uma nova formatação política diante da crise do atual modelo
partidário (aqui e no mundo).
Política em #REDE para
livrar os partidos das armadilhas burocráticas e das amarras hierárquicas;
Política em #REDE verdadeiramente acessível e inteligível para
a sociedade.
Muito se fala da #NovaPolítica, da falência
do atual modelo partidário e da crise de credibilidade das instituições. Faça
parte da #REDE23!
Desde
o Congresso Nacional do PPS em 2011, foi adotado esse conceito
da #REDE23, por sugestão do Blog
do PPS,
que desde 2007 é fonte de informação e referência para jornalistas, militantes
partidários e cidadãos em geral que buscam notícias confiáveis e
opiniões coerentes.
Ou
seja, apesar de vinculado a um partido político, o Blog do
PPS faz
política em#REDE,
mantém a sua independência, defende e exercita a plena liberdade de expressão
e a pluralidade ideológica, contribuindo para o aperfeiçoamento constante da
democracia, com princípios e valores republicanos compartilhados para a
construção de uma sociedade mais justa, solidária, democrática e
sustentável.
Leia também:
"Nova
Política": PPS inaugura a era da #REDE23
Algumas
ações concretas para a "nova política"
Muito se fala da "nova
política", da falência do atual modelo partidário e da crise de credibilidade
das instituições políticas. O processo congressual do PPS, que concluiu pela
"refundação" do partido e a reafirmação do sonho de reunir a sociedade em um
novo movimento, somado à tese bastante semelhante que foi apresentada por
Marina Silva na sua desfiliação do PV e na busca de um
Movimento por uma Nova Política, são fatores convergentes que permitem
uma visão otimista sobre a oportunidade de mudança gerada pelo momento de
crise.
Há uma proposta ousada defendida dentro e fora do PPS, quase
utópica, que é avançar para a política em "REDE", livrar o partido das
armadilhas burocráticas, das amarras hierárquicas e abrir verdadeiramente as
suas decisões para a sociedade. Trata-se do princípio da "radicalidade
democrática", definição genérica que pode enfim ter um significado concreto com
a transição do PPS para #REDE 23, sigla e símbolo emblemático desta “nova
política”.
Está lançada a oportunidade de consolidar a nova formatação
política que vinha sendo proposta desde 1992, com o surgimento do PPS, e que
agora se torna factível diante da crise do atual modelo partidário (aqui e no
mundo) e da atuação eficaz e revolucionária daqueles que já fazem (ou que
pretendem fazer) política por fora dos partidos.
Podemos ser
protagonistas desta “nova política”, tanto na forma quanto no
conteúdo.
Como colocar em prática a #REDE 23 – Rede da Esquerda
Democrática
Estamos propondo cinco medidas bastante simples,
práticas e concretas para iniciar a implementação “radicalmente democrática”
desta #REDE23, promovendo a interação nas redes sociais, descentralização,
transparência e democratização das decisões de uma ação política coletiva com
direção compartilhada:
1) Implantação da consulta online sobre os temas
em pauta, tanto em reuniões presenciais do Diretório como em conferências
virtuais, permitindo o voto
“sim”,
“não” ou
“abstenção”, e sua justificativa, desde que devidamente identificado
(membros titulares e suplentes de cada instância têm direito ao voto como se
estivessem presentes fisicamente; demais militantes e simpatizantes também se
manifestam e o resultado obtido por maioria simples será contabilizado como um
voto válido para deliberação naquela instância, contando inclusive como primeiro
critério de desempate, ou voto de minerva).
2) Conferências virtuais e
consultas online para tratar de temas de interesse do partido e da sociedade
podem ser propostas a qualquer tempo, por convocação do Presidente, da Comissão
Executiva, do líder da bancada parlamentar ou por requerimento da maioria
simples dos membros do Diretório.
3) Criação da Coordenação ou Secretaria
de Redes Sociais, para garantir a interação permanente por todos os meios
virtuais disponíveis com todos os dirigentes, detentores de mandato, militantes
e simpatizantes, incluindo a realização de conferências virtuais e consultas
online (que podem ser requeridas e efetuadas num prazo mínimo de 48 horas, de
acordo com a urgência do tema).
4) Divulgação e transmissão de todas as
reuniões do Diretório e/ou de sua Comissão Executiva, com interação de
militantes e simpatizantes, assim como a disponibilização permanente, em todos
os meios de comunicação do partido, de um espaço livre e democrático para o
debate e a formulação de propostas.
5) Escolha, por meio das redes
sociais, do “vereador virtual” em 2016, representante do partido que se
comprometa a realizar uma campanha diferenciada - terá custo zero, apenas com
apoiadores voluntários e nenhuma utilização de material que suja a cidade
(panfletos, faixas, pintura de muros, carros de som) – e, se eleito, um mandato
coletivo (a atuação do vereador ou da vereadora virtual será toda pautada por
consulta direta à população, em tempo real, através da internet ou de outros
recursos tecnológicos). Veja detalhes da idéia lançada na última eleição pelo
PPS/SP:
www.vereadorvirtual.blogspot.com
A
contribuição de São Paulo ao Congresso do PPS
A definição da
linha política do PPS começou a ser traçada no 17º Congresso Nacional do
partido, intitulado
“Por uma Esquerda Democrática para Mudar o Brasil”,
realizado em São Paulo nos dias 9, 10 e 11 de dezembro, e já estava sintetizada
no
“Documento para
Debate” elaborado pela Comissão Executiva do Diretório Nacional, a
partir de contribuições recebidas no Fórum criado exclusivamente para este
fim.
Assim, neste receituário genérico da
“Esquerda Democrática para
mudar o Brasil”, como propõe utopicamente o Congresso, estamos parcialmente
atendidos pelo documento inicial.
Porém, o PPS de São Paulo entende que
pode contribuir mais concretamente com este processo, detalhando alguns pontos
práticos de mudanças propostas e reafirmando outros princípios, conceitos e
valores que devem nortear a nossa atuação cotidiana.
Com este objetivo,
os diretórios do PPS paulista, presidido por
Davi Zaia, e
paulistano, sob a presidência de
Carlos Fernandes, nomearam uma
Comissão de Sistematização de Propostas
(composta por Alberto Aggio,
Dina Lida Kinoshita, Maurício Huertas, Moacir Longo e Soninha
Francine) para elaborar esta contribuição de São Paulo para o
conjunto partidário - aprovada por unanimidade nos dois congressos (municipal e
estadual).
A partir da produção dos membros desta Comissão, enriquecida
pela participação essencial de militantes do PPS que merecem ser mencionados,
como os dirigentes nacionais
Caetano Araujo e
Raulino
Oliveira, e os coordenadores da Juventude,
Tiago Franco
Toledo e
Peterson Ruan, bem como o vereador
Claudio Fonseca e seu chefe de gabinete,
Paulo Cesar de
Oliveira, entre outros, apresentamos a sistematização das propostas
recebidas.
Como afirma o presidente de honra do PPS/SP,
Moacir
Longo, precisamos de um projeto concreto para os municípios do Estado
de São Paulo e para o País, acompanhado de uma proposta de mudança na nossa
atual formação partidária.
Nós, e as demais forças de esquerda,
democráticas e progressistas de oposição ao atual sistema de Poder implantado
pelo "lulopetismo", estamos carentes de um programa objetivo e construtivo para
sair da perplexidade e da passividade.
Precisamos criar uma via
alternativa para governar o Brasil, fortalecer a democracia, desenvolver o poder
local e distribuir melhor a renda nacional, entre outros avanços de caráter
social, econômico e cultural que contemplem a cidadania.
O PPS defende
mudanças estruturais profundas: reforma do Estado, reforma tributária, reforma
política, reforma do Judiciário, que serão detalhadas em documentos
específicos.
A intenção do PPS de São Paulo é oferecer esta contribuição
ao debate nas ruas e nas redes com cidadãos interessados, movimentos,
instituições, outras siglas partidárias, entidades e associações para chegar à
formulação de um projeto transformador, capaz de colocar o Brasil na rota de um
desenvolvimento sustentável e gerador de riquezas para melhor distribuir, com
justiça, a renda nacional.
Esse novo movimento, juntamente com o passo
firme na direção de uma nova formação partidária, precisa não apenas demonstrar
para a sociedade brasileira que é de oposição consciente ao atual governo
federal e ao sistema de poder por ele montado, mas também – e principalmente –
que é portador de um projeto de mudanças e de desenvolvimento do País que sirva
de base para construção da nova sociedade que todos almejamos.
Sem essa
iniciativa na construção de uma formação partidária mais ampla e na formulação
de um programa objetivo de mudanças, não conseguiremos interromper o declínio
que o nosso partido - e os demais partidos ideológicos - vem experimentando,
claramente demonstrado nas seguidas quedas de votação e redução da nossa
influência no processo político.
Identidade oposicionista,
identidade partidária
O PPS conseguiu sucesso em afirmar a sua
identidade nacional oposicionista junto ao eleitorado. Nesse ponto, o eleitor
sabe, com clareza, onde estamos e a quem criticamos. Não tem a mesma clareza
sobre o que propomos. Ou seja, não tivemos o mesmo sucesso na afirmação de nossa
identidade programática, política e partidária.
Qual a nossa diferença
em relação aos demais partidos oposicionistas? Os eleitores ignoram. Hoje o
eleitor descontente vota no PPS muito mais em razão do mérito pessoal dos
candidatos que da afirmação clara de uma proposta partidária
diferenciada.
Esta é a grande questão do Congresso, que precisaremos
enfrentar. Para isso teremos que debater temas como a atualidade e o significado
da oposição entre esquerda e direita, a velha e a nova política, o fracasso
histórico dos modelos formados na esquerda, o fim do revolucionarismo e a
insuficiência do estado de bem-estar social num mundo globalizado, que assiste à
retração do trabalho assalariado tradicional.
A procura da equidade e da
justiça social por meio da política continua a ser a questão central da
esquerda, que dela se desviou na ilusão dos atalhos autoritários. Os objetivos
da esquerda continuam radicais e, nesse sentido, revolucionários. Mas o caminho
da mudança passa necessariamente pela construção de acordos progressivos, no
espaço da institucionalidade democrática. Mudança sem democracia, sem deixar
aberta a porta da correção de rumo, não é sustentável.
Nova
política, novo partido
Há uma crise da representação política em
todos os países democráticos, provocada pela revolução havida na informação. O
cidadão não precisa hoje de intermediários para levar suas demandas aos
representantes eleitos.
Com isso, a política deixa de ser monopólio dos
partidos, embora as eleições no Brasil ainda o sejam. O resultado é a queda no
número de filiados de todos os grandes partidos do Ocidente e em suas
contribuições financeiras, com o conseqüente aumento dos recursos públicos no
financiamento da política.
Há uma crise de representação adicional no
Brasil, devido à nossa legislação eleitoral, que se traduz em partidos frágeis,
mandatos personalizados, fraqueza do Legislativo
(ou, como explicita
Soninha Francine: "o Legislativo que chantageia o Executivo até
que a maioria se integre à ´base governista´, sob condições que conhecemos bem -
sendo a ocupação de cargos por pessoas sem a mínima condição para tal a mais
visível delas-, formando então um rolo compressor que massacra a
oposição"), eleições caras e descrédito popular. Esse modelo funciona à
base de práticas de financiamento já inaceitáveis para a opinião pública e
tornou-se uma fábrica de crises.
Os partidos brasileiros, inclusive o
PPS, sofrem as conseqüências combinadas dessas duas crises. Para enfrentar a
segunda, o PPS apresentou uma série de
propostas de reforma,
entendidas como primeiro passo para reformas mais amplas, na política e no
Estado.
Para enfrentar a primeira crise, é preciso discutir seu caráter.
Não subestimemos o potencial de mudança, revolucionário, que as novas
tecnologias da informação, em especial a internet, atualizam todos os dias. A
questão está no seu significado.
Em termos de participação política, a
comunicação em rede torna possível a mobilização instantânea, sempre que a
agenda formulada na rede encontre eco na motivação dos manifestantes.
A
primavera árabe é o exemplo mais recente, de maior repercussão. Mas a
comunicação na rede não substituiu, nesse e em outros casos, a participação
física do cidadão, sua presença na rua, o compromisso com a mudança, assumido
com o risco de violência, prisão ou morte.
Entendemos que o mesmo se dá
com a representação. O significado da crise de representação não é a demanda por
seu fim, pela participação pura, em condições tecnológicas que garantiriam sua
viabilidade, e sim a demanda de outra representação, de qualidade
maior.
Se o argumento está correto, o papel dos partidos e sua
organização interna mudam por completo. Partidos não mais são os delegados de
classes e segmentos sociais, para os quais formulam, decidem e implementam
políticas. Partidos são definidos por diretrizes políticas gerais e formulam
políticas específicas na interlocução com movimentos interessados em cada
assunto. Partidos formulam em conjunto e transportam para o mundo da
representação, da produção das leis, a política assim elaborada. Nesse processo,
a rede é fundamental.
Nessa lógica, que defendemos, o PPS precisa atuar
em duas frentes. A primeira é renovar o “partido para dentro”, a organização
partidária tradicional, definida em lei e por ela mantida, o partido composto,
em sua grande maioria, por militantes interessados de uma ou outra forma na
disputa eleitoral. Isso significa aumentar a transparência, aperfeiçoar o
processo de prestação de contas das direções, generalizar a prática da direção
coletiva.
A segunda é construir o partido para fora, o espaço de
interlocução com políticos, partidos, movimentos, instituições, comunidades na
rede, indivíduos. Sem esse partido para fora não há formulação de propostas de
políticas publicas, não há capacidade de mobilização, sequer há sucesso
eleitoral, pois está mais do que claro que militância hoje não é suficiente para
vencer eleições. Eleições são decididas pela confiança do cidadão, ou pelo
recurso a meios escusos.
A idéia de partido para fora estava no fundo da
proposta, nunca realizada, de nova formação política do PPS desde 1992. Talvez
hoje a
#REDE23
seja o caminho.
#REDE23 - A REDE DA ESQUERDA
DEMOCRÁTICA
A transição do PPS para
#REDE23
Sair da "zona de conforto" para ser protagonista
"(...) PPS, antigo Partido Comunista Brasileiro: serve
uma excelente retórica de esquerda somada a uma prática frágil. O PPS
subsistirá, mas, como vários partidos, sua vocação é ser coadjuvante - o que não
é desonra alguma: também coadjuvantes recebem o Oscar."
A análise
acima é do renomado
Renato Janine Ribeiro, professor de ética e
filosofia da USP, no artigo
"O PSDB hoje é uma nau sem rumo", publicado
no jornal
Valor Econômico de 11 de julho de 2011.
Juntemos esta
visão de sermos meros coadjuvantes, que não é apenas o modo como a maioria nos
vê de fora, mas também como muitos nos enxergamos aqui dentro, com as diversas
manifestações que temos feito sobre a crise do atual modelo político-partidário,
a falta de credibilidade dos políticos, a necessidade de "refundação" do PPS e
da esquerda democrática, e teremos a centelha desta "nova política" que
buscamos.
Ou seja, devemos sair da "zona de conforto" e avançar,
dialogar, agregar esforços, idéias e pessoas neste movimento transformador,
enfrentar a crise de credibilidade dos políticos e de representatividade dos
partidos, mudar a forma de atuação e nos abrirmos verdadeiramente para a
sociedade. A oportunidade de mudança está lançada. Seremos coadjuvantes ou
protagonistas?
Em linhas gerais:
1) É essencial entender a
falência da atual política-partidária brasileira. A fórmula atual está esgotada.
Política, hoje, se faz nas redes sociais, nas ONGs, OSCIPs, no mundo do trabalho
(à parte de sindicatos), nas escolas
(fora da fábrica de
carteirinhas da UNE). Os partidos são vistos
(e quase sempre são assim
mesmo) como um mero agrupamento de interesses corporativos, insensíveis à
grande maioria da sociedade.
2) Dito isto, entendemos que o PPS precisa
igualmente ser refundado. Podemos repensar nome, forma e conteúdo. Se estamos
propondo um novo Movimento - em vez de só mais uma legenda - uma REDE que reúna
de maneira mais moderna e eficaz a sociedade, os jovens, a classe média, gente
que hoje detesta a política e os partidos, que seja realmente novo e antenado a
estas redes sociais, sugerimos um novo conceito, "diferente" e emblemático:
#REDE23.
3) Como primeira ação desta
Rede da Esquerda
Democrática, devemos fazer um grande Congresso (aberto a todas as correntes
de pensamento político), e como gesto simbólico ter candidatos a prefeito em
todas as capitais do país e em todas as regiões metropolitanas, na construção do
Programa Cidades Sustentáveis.
4) É prioritário que busquemos
na sociedade e nos demais partidos (todos em crise) os "órfãos" de uma
representação política verdadeiramente digna, ética e coerente. Em linhas
gerais, se querem rotular (e para nos diferenciar do novo PSD que prega não ser
de direita, de esquerda ou de centro), que nos rotulem como uma nova
Rede da
Esquerda Democrática.
Um partido para a juventude e para a
classe média
(Ou um partido para os inconformados,
os indignados, os idealistas, os excluídos... e até para quem não quer ouvir
falar de partido nenhum!)
Enquanto se especula a criação
de novos partidos no Brasil e as atuais legendas se sobrepõem numa sopa de
letrinhas rala, insossa e indigesta, sem nenhuma "sustança" ideológica, é
chegada a hora de fazer o balanço do PPS, às vésperas de seus 20 anos (ou 90
anos de PCB/PPS, que também serão completados em 2012).
Sabe-se que o
Partido Popular Socialista (PPS), herdeiro legítimo do velho Partidão, tem um
lastro histórico de lutas pela democracia, pela cidadania plena e por justiça
social. O xis da questão é transportar esse passado glorioso para a atualidade,
mantendo a coerência, a ética e a unidade, expandindo nossos horizontes e
desbravando novos caminhos para o desenvolvimento econômico, político e social -
com justiça e sustentabilidade - do Brasil.
O que a sociedade espera,
hoje, de um partido político? E o que o PPS tem a oferecer aos cidadãos
brasileiros para atender a essa expectativa?
Primeiro, é preciso entender
que o atual modelo político-partidário brasileiro está esgotado. Somando-se isso
à demagogia, corrupção e outras formas de desonestidade, não é de se estranhar a
crônica falta de credibilidade dos políticos, dos partidos e das instituições
vinculadas aos três poderes.
O povo brasileiro carece não de um partido,
mas de um Movimento verdadeiramente moderno, com políticos sensíveis às demandas
sociais e comprometidos com o bem comum. Mas exige, além de um programa viável
para o país, que todo esse arcabouço teórico seja traduzido em ações práticas e
de fácil assimilação.
Não basta pensar o país e o mundo, é preciso
transformá-los. Da solução para um buraco de rua ou a necessária poda de uma
árvore à globalização econômica, à sustentabilidade e à paz mundial, cada
cidadão tem um amplo arco de interesses e procura um partido que se identifique
com estas causas.
O PPS, portanto, tem que ser mais visível, sensível e
inteligível à população. Tem que levantar bandeiras que sejam claramente
identificadas pelos setores da sociedade que pretendemos atingir. E quais são
esses setores? A quem o PPS quer servir?
O PPS é um partido moderno,
antenado com o mundo e as novas tecnologias, composto em grande parte por uma
nova geração de políticos éticos e comprometidos sobretudo com o que se
convencionou chamar de "classe média" no Brasil.
E o que é um partido de
"classe média"? Traduzindo: o PPS não é um partido das classes dominantes, das
oligarquias, dos banqueiros e dos grandes empresários. Por outro lado, não é um
partido assistencialista, que faz da exploração da miséria a sua razão de ser. É
o partido do cidadão comum, como eu e você, que batalha no dia-a-dia e tem um
senso crítico desenvolvido, espírito contestador e que não se satisfaz com os
atuais modelos de governo e de oposição.
O PPS é o partido da juventude,
dos aposentados, das famílias que se preocupam com o futuro, com uma educação de
qualidade, com a preservação do meio ambiente, com a redução de impostos, com a
melhoria dos transportes, com um sistema único de saúde amplo e funcional, com
empregos dignos, estabilidade financeira, cultura e lazer.
É o partido do
trabalhador que não se vê atendido pelo atual governo federal, por partidos e
centrais sindicais subservientes, que abandonam antigas bandeiras e silenciam
diante de barbaridades para manter as benesses do poder.
É o partido do
jovem que está nas redes sociais e não se vê representado no movimento
estudantil oficial, nas instituições que viraram fábricas de carteirinha escolar
e que só funcionam como máquinas arrecadadoras de verbas
governamentais.
É o partido do aposentado que manifesta a sua indignação
com o desrespeito a que é submetido no dia-a-dia, na falta de valorização de
toda uma vida de trabalho e dedicação ao país, que acaba se traduzindo na
desatenção à saúde e na falta de uma assistência compatível às suas necessidades
especiais.
O PPS é o partido contra todas as imposições absurdas à
sociedade: contra o voto obrigatório, contra o voto secreto no parlamento,
contra o alistamento militar obrigatório, contra a demagogia, contra a falta de
transparência e de clareza, contra a burocracia que enlouquece o cidadão honesto
e é terreno fértil para a corrupção, contra um governo de medidas provisórias,
contra impostos e taxas que se multiplicam indefinidamente sobre o bolso do
contribuinte.
O PPS é o partido do imposto único, do incentivo ao
primeiro emprego, do voto facultativo, do voto distrital misto, da banda larga
de qualidade e a preço justo e do acesso grátis à internet nos espaços públicos.
O PPS é o partido do salário mínimo que permita o sustento da família.
Das condições de trabalho decentes para o servidor público. Da faculdade
gratuita e de qualidade à população mais carente. Da prioridade ao transporte
coletivo. Da promoção da mobilidade urbana democrática e sustentável. Do combate
ao tráfico de drogas. Da luta por saúde e segurança. Da valorização da mulher,
através do compromisso com a saúde reprodutiva, a segurança e o empenho para o
aumento da participação feminina na política. Da igualdade. Da liberdade. Da
qualidade de vida.
A democracia e a modernidade
O
PPS entende que a política é uma vocação que pede sempre o concurso do
pensamento, é uma atividade que deve ser exercida tendo como base a formação
permanente e que busca uma identidade que se fundamenta e se faz a partir de uma
cultura e uma sensibilidade compartilhada entre seus dirigentes e militantes.
Para o PPS a política é concebida e praticada em todas as suas dimensões como
uma política democrática que busca a renovação progressista do Estado bem como a
melhoria da vida social no seu conjunto.
O PPS busca ser também um
partido que não fale apenas de política no sentido convencional do termo. Ele
deve se abrir à reflexão e mesmo à expressão de temas que manifestem os dilemas
e ao mesmo tempo dinamizam a sociedade contemporânea tais como a real
emancipação das mulheres, as questões transversais que marcam as novas
subjetividades nas questões de gênero, as perspectivas de sustentabilidade de
uma nova economia, etc. Desta forma, o PPS deve ser entendido, visto e
compreendido como um organismo inovador e pluralista que abre espaço e amplia o
diálogo e a expressão cultural junto aos novos e emergentes sujeitos
sociais.
Para o PPS não há antagonismo entre democracia representativa e
democracia participativa. A nossa visão da democracia é a da sua reforma
permanente. Democracia é a institucionalização do conflito no âmbito das
instituições do Estado e também as legítimas manifestações que emergem da
sociedade, o pulsar que vem de fora das instituições e que lhe dá vida,
renovando o sistema e as formas da política bem como a sociedade em seu
conjunto.
O desafio presente do PPS reside na construção de uma
alternativa aos dilemas do atual ciclo de “modernização sem modernidade” que
ganhou corações e mentes entre os brasileiros nos últimos anos. A modernidade
sempre foi um fascínio para a sociedade brasileira. O PPS busca fundir
modernidade com política democrática para que ambas se tornem efetivamente uma
conquista irreversível de todos nós.
Por que, afinal, um cidadão
de bem faz política?
Desconfiança é a palavra-chave da
política. Aquele que ousa se filiar a um partido, então, é praticamente
execrado. Não é difícil entender os motivos de tanta aversão da sociedade pelos
políticos. Basta uma passada de olhos pelo noticiário do dia. Porém, toda
generalização é injusta - como toda unanimidade é burra.
No conceito
geral, fazer política é praticamente uma confissão de culpa: o sujeito deve
estar metido em algum trambique. Mas será mesmo que todo mundo que entra para a
política é mal intencionado ou quer tirar alguma vantagem ilícita? O que leva,
afinal, um cidadão de bem a se aventurar nesse mundo da
política-partidária?
A #REDE23 - Rede da Esquerda Democrática - será
praticamente uma trincheira da boa política. Travaremos uma luta diária por mais
democracia, justiça, solidariedade, cidadania, ética, igualdade de direitos e de
oportunidades entre as pessoas, liberdade de ação, expressão e pensamento,
respeito ao ser humano e ao meio ambiente, valorização da família e da
comunidade, e uma defesa intransigente do direito à vida.
Dentro do
possível, manteremos a isenção e o distanciamento crítico no acompanhamento do
dia-a-dia da política. Porém, a ação de qualquer um na luta para que as pessoas
tenham casa, comida, emprego, saúde, educação, segurança e sejam tratadas com
respeito, dignidade e humanismo, fica bastante limitada se não houver um
envolvimento direto no palco central dos acontecimentos: o meio
político-partidário.
Isso não significa que fazer política seja concordar
com as práticas usuais dos políticos, o fisiologismo, a burocracia, a
improbidade administrativa, os esquemas de corrupção, a hipocrisia, a demagogia
e o populismo, os desmandos e a preocupação com a defesa de interesses escusos e
mesquinhos de grupos ou partidos em detrimento da maioria da
população.
Temos por aqui vários exemplos de gente que, mesmo dentro da
política, não perdeu a sua integridade, seriedade, honestidade, competência,
coragem e arrojo na fiscalização das irregularidades cometidas pelos políticos e
pelo poder público. Gente que permanece inabalável na defesa de seus princípios
e ideais.
Ao contrário de pessoas que entram na política por interesse ou
por vaidade, para ganhar fama e poder ou para garantir privilégios, há uns
poucos que pretendem retribuir o que a vida e o trabalho honesto têm lhe
proporcionado.
É possível desempenhar um papel político para garantir à
maioria dos cidadãos um pouco das oportunidades, da felicidade e da qualidade de
vida que hoje uma minoria possui. Se cada um fizer a sua parte com bom senso e
boa vontade, podemos juntos atingir mais rapidamente os objetivos e ideais de
uma sociedade mais justa, renovada, solidária, íntegra, pacífica e
feliz.
Agora, se todos esses argumentos não bastarem, é sempre oportuno
recorrer ao dramaturgo alemão Bertolt Brecht, em seu
"O Analfabeto
Político":
O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não
ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o
custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e
do remédio dependem das decisões políticas.
O analfabeto político é tão
burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o
imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado,
e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e
lacaio das empresas nacionais e multinacionais.
Cada
cidadão, uma voz. E os partidos definham...
O sucesso da
campanha presidencial de
Marina Silva e a recente debandada de
seu grupo do PV, bem como as mudanças que ocorrem mundialmente nos partidos
políticos, todos enfraquecidos e desacreditados, são frutos em grande medida da
revolução implementada pelas redes sociais.
É evidente que a sociedade -
e a juventude, principalmente - não se sente mais atraída ou representada pelos
atuais partidos políticos. Hoje em dia a política não se faz necessariamente -
ou exclusivamente - pelos partidos.
Cada vez mais, a democracia deixa de
ser representativa e passa a ser exercida de forma direta. Cada cidadão, uma
voz. E a soma dessas vozes - muitas vezes de forma espontânea e livremente
desorganizada - constrói uma nova realidade, que transpassa do mundo virtual
para o mundo real instantaneamente, em questão de segundos (ou 140 toques no
computador).
Os partidos continuam sendo instrumentos necessários para
quem, atendendo as exigências da legislação vigente, pretende disputar uma
eleição. Reunem ainda um número significativo de gente bem intencionada,
preocupada com a coletividade e disposta a se organizar da forma tradicional,
fazer valer seus direitos, chegar ao poder com visão republicana e transformar a
sociedade de acordo com a vontade da maioria.
Mas a escassez de
credibilidade dos partidos devido à infinidade de escândalos envolvendo
políticos e a própria ineficácia e atuação errática das legendas afastam a
maioria das pessoas da política-partidária e provoca verdadeira ojeriza aos
cidadãos de bem.
Porém, nem todos que atuamos politicamente estamos
resignados com a crise. A movimentação dos "marineiros" e a disposição
radicalmente democrática do PPS, a partir de seus congressos internos, de
promover uma "refundação" e se abrir para as redes sociais, demonstra que ainda
há sinal de vida inteligente nos partidos. O que falta, talvez, é que os bons se
unam e promovam as mudanças necessárias.
Como fazer política
após a falência dos partidos?
Como é, afinal, a "nova
formatação política" que o PPS propõe a partir de seus congressos, considerando
a falência dos atuais modelos político-partidários no Brasil e no
mundo?
Provavelmente não exista ainda - e talvez seja até melhor não
haver - uma proposta pronta e acabada. Mas a soma de opiniões diversas, de
dirigentes, militantes e simpatizantes, em reuniões presenciais e na
participação em redes sociais, aponta exatamente para isso: a prática de uma
política muito mais próxima do cotidiano da sociedade, mais ágil, dinâmica,
transparente, radicalmente democrática, inovadora e
transformadora.
Pesquisas recentes demonstram que 71% dos jovens
brasileiros consideram possível fazer política usando a internet, sem
intermediários (partidos e políticos). Outros 59% deles afirmam não ter nenhum
partido político de preferência.
Quem compreender esta informação e
abraçar esta idéia com sinceridade, coragem, ousadia e criatividade - inclusive
com o desprendimento de reconhecer este esgotamento do modelo tradicional de
organização e mobilização - dará um passo firme na conquista de novos adeptos e
na legitimidade de tentar dar vez e voz principalmente aos jovens que não se
sentem representados nos atuais partidos.
Internet é arma
política para 71% dos jovens
Por: Daniela Lima -
FOLHA DE
S. PAULO (Segunda, 13 de junho de 2011)
Pesquisa mostra
que rede se firma como ferramenta de mobilização alternativa
Descontentes com as instituições políticas tradicionais, os jovens
brasileiros consolidaram a internet como instrumento alternativo para
mobilização social, mostra pesquisa feita pelo Datafolha em parceira com a
agência de publicidade Box.
Para 71% dos entrevistados, é possível fazer
política usando a rede sem intermediários, como os partidos.
O dado,
segundo especialistas ouvidos pela Folha, revela um esgotamento do modelo
tradicional de mobilização e impõe um desafio aos que pretendem assumir a
representação dos jovens.
A pesquisa compreendeu uma fase qualitativa, a
que se seguiu um painel quantitativo. Neste, foram entrevistados 1.200 jovens
com idade entre 18 e 24 anos, em cidades de quatro regiões do país.
"Esse
jovem pensa a política de forma menos hierárquica e mostra uma descrença em
relações às instituições formais, como partidos ou governo", diz Gabriel
Milanez, pesquisador da Box.
O sociólogo e ex-presidente Fernando
Henrique Cardoso afirma que "a juventude se comunica diretamente". "Ela salta
instituições. É preciso uma liderança que faça a ponte entre a sociedade e a
necessidade de organização institucional", disse à Folha.
Exemplos desse
"salto" ficaram frequentes no noticiário dos últimos meses.
No Egito, por
exemplo, a imagem da praça Tahrir tomada por manifestantes organizados pela
internet tornou-se símbolo da queda do ex-presidente Hosni Mubarak. No Brasil,
em proporção ainda reduzida, o poder de mobilização das redes sociais também já
aparece.
Por fora dos partidos e das organizações tradicionais da
juventude, organizaram-se protestos como as marchas da Maconha e da Liberdade,
assim como o Churrascão da Gente Diferenciada, contra moradores de Higienópolis,
na capital paulista, que fizeram oposição à construção de uma estação de
metrô.
Para o professor de filosofia da USP Vladimir Safatle, são eventos
que apontam para um momento de transição.
"A forma partidária chegou a um
esgotamento e as demandas vão se expressar de uma nova forma. Há, no entanto,
uma questão em aberto, que diz respeito a como a sociedade vai se organizar a
partir daí", diz.
Marco Magri, um dos coordenadores da Marcha da Maconha
e ativista de outros movimentos organizados pela rede, reconhece a "falência" do
que chama de "política institucional". "O descontentamento com esse modelo se
reflete no tamanho das mobilizações que anônimos conseguem
promover."
"Essa política tradicional está fadada a perder espaço. E a
nós caberá o desafio de levar aqueles que se mobilizam na internet às ruas, que
é o que provoca algum resultado", avalia.
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